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Histórico mostra evolução da obesidade entre brasileiros, aponta IBGE

3332 dias atrás por Leila País de Miranda   Comentários (0)

Reproduzo matéria publicada em O Globo, em 27/08/2010 - Fiquei impressionada com a evolução dos índices entre 1974 e 2009, 35 anos. 

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RIO - Os bons resultados obtidos pelo Brasil na luta contra os efeitos da desnutrição e o aumento da preocupação com as consequências do excesso de peso são demonstrados pelas comparações entre o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef), realizada em 1974-1975; a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN), em 1989; e a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) em 2008-2009, todas calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A incidência de déficit de altura entre crianças do sexo masculino de 5 a 9 anos de idade passou de 29,3% em 1974-1975 para 14,7% em 1989 e 7,2% em 2008-2009. Nas meninas, o percentual passou de 26,7% para 12,6% e 6,3%. Já o déficit de peso entre os meninos foi de 5,7% em 1974-1975 para 2,2% em 1989 e para 4,3% em 2008-2009. Nas meninas o percentual foi de 5,4%, 1,5% e 3,9%.

No sentido contrário estão o excesso de peso e a obesidade. Entre 1974 e 2009, o percentual de meninos brasileiros entre 5 e 9 anos com excesso de peso subiu de 10,9% para 34,8%, atingindo 15% em 1989. Já a obesidade era de 2,9% em 1974-1975, foi a 4,1% em 1989 e 16,6% em 2008-2009. Entre as meninas, o excesso de peso passou de 8,6% em 1974-1975 para 11,9% em 1989 e 32% em 2008-2009. A obesidade para as meninas subiu de 1,8% para 2,4% e 11,8% no mesmo período.

Tendência semelhante foi observada entre os jovens de 10 a 19 anos. Neste caso, já incluídas as comparações da POF 2002-2003, o déficit de peso entre os homens passou de 10,1% em 1974-1975 para 3,7% em 2008-2009, enquanto o excesso de peso atingiu 3,7% do total em 1974-1975 e 21,7 em 2008-2009. A obesidade pulou de 0,4% para 5,9%.

Entre as meninas, o déficit de peso variou de 5,1% para 3%, enquanto o excesso de peso saltou de 7,6% para 19,4% e a obesidade de 0,7% para 4%.

Entre os adultos - com 20 anos ou mais - o déficit de peso era de 8% entre os homens e de 11,8% entre as mulheres em 1975, passando, em 2009, para 1,8% e 3,6%, respectivamente. Já o excesso de peso pulou de 18,5% para 50,1% entre os homens e de 28,7% para 48% entre as mulheres. A obesidade saltou de 2,8% para 12,4% entre os homens e de 8% para 16,9% entre as mulheres.

A coordenadora de trabalho e rendimento do IBGE, Márcia Quintsler, ressaltou que, entre os adultos, o excesso de peso entre os homens está mais associado à renda. Entre os 20% com maior rendimento, o excesso de peso ficou em 61,8% na POF 2008-2009, enquanto entre os 20% com menor rendimento o percentual foi de 36,9%. Já a obesidade ficou em 16,9% entre os mais ricos e 7% entre os 20% mais pobres.

Entre as mulheres, Márcia chamou a atenção para uma tendência que não se verificou entre 2002-2003 e 2008-2009. Entre as 60% com maiores rendimentos, tanto o percentual de mulheres acima do peso, quanto de obesas caiu entre 1989 e 2003, o que não se repetiu agora, com o percentual de todas as faixas subindo.

"Na POF de 2002-2003, houve declínio nos três maiores quintos de renda tanto do excesso de peso, quanto da obesidade, uma tendência que não foi confirmada pela POF 2008-2009, que viu esses índices crescerem novamente", destacou Márcia.

(Rafael Rosas | Valor)