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A comida na Moleque de Ideias

1315 dias atrás por Juliana   Comentários (0)

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Sempre houve na Moleque uma vontade de trazer a cozinha mais pra perto e torná-la uma atividade presente no nosso dia-a-dia. Assim, em 2013 aconteceu o Let's Cook Together - Vamos Cozinhar Juntos,  um evento internacional colaborativo, que foi organizado pela Moleque através de um grupo no Facebook. Depois, o amigo alemão Joachim Lohkamp passou um tempo no Brasil e foi uma das primeiras pessoas a cozinhar regularmente na Moleque. Com isso tudo, o interesse pelo assunto cresceu muito, e atualmente há várias coisas acontecendo em torno da comida aqui.

Antes, quem trabalhava na Moleque costumava sair para almoçar na rua, ou levar comida de casa, mas agora a equipe, de 6 a 12 pessoas, decidiu almoçar junta todos os dias. Esse movimento, de cozinhar, comer e receber amigos, está cada vez mais frequente, especialmente depois de termos nos mudado para uma casa maior e criado uma bela cozinha, bem equipada e moderna.

O Michael Collan assumiu o papel de chef da Moleque em 2013. Desde então ele prepara as refeições diariamente, e todos apreciam muito. Os ingredientes são por conta da Moleque, e as compras, feitas principalmente nos mercados locais. Mas, sendo essa cozinha um espaço de colaboração, qualquer contribuição é muito bem-vinda, e a ajuda para cozinhar e limpar depois é muito importante.

Todo mundo aqui concorda que esse novo hábito, de se reunir em torno da mesa regularmente, tem um efeito social muito positivo. É uma ocasião para conversar sobre as atividades da Moleque e todos os outros assuntos que surgem.

O menu tem sido bem variado, indo de especialidades nórdicas a moquecas e churrascos, com vários tipos de carne, peixe, frango e frutos do mar, sempre com vegetais frescos e frutas, que vêm tanto dos mercados quanto da própria plantação da casa.

O novo espaço da Moleque também tem possibilidades incríveis para agricultura urbana, com um teto verde e um grande jardim, que pode abrigar todo tipo de temperos, legumes, frutinhas e árvores. As ideias proliferam, e temos planos para um projeto de aquicultura com tilápias e camarões, e um defumador para bacons, presuntos e linguiças. Outro projeto que tem se desenvolvido é o de cultivar cogumelos, usando kits que podem ser comprados facilmente hoje em dia. Também temos pensado em comprar grãos de trigo, para que, com um simples moinho, pudéssemos ter farinha sempre fresca e um pão ainda melhor.

A compostagem já é um hábito na Moleque, com a criação de minhocas, que transformam os restos orgânicos da cozinha em excelente fertilizante. Temos até abelhas jataí sem ferrão, nativas brasileiras, que produzem um ótimo mel.

Para quem cozinha todo dia, esse acesso a vegetais frescos, temperos e frutas é maravilhoso, e muito importante para nosso compromisso com a sustentabilidade.


A comida


Alguns dos pratos preferidos do pessoal são o pyttipanna (estilo escandinavo, com batatas e linguiça), sopas de vegetais, massa fresca, feita na hora, churrasco, e claro, hambúrgueres, cachorro-quentes, yakissobas e pizzas. No nosso menu regular ainda tem moqueca e feijoada.

A sopa de vegetais nas segundas-feiras (Segunda sem Carne) já se tornou uma tradição, e serve para começar a semana indo com calma, cuidando dos nossos estômagos depois dos fins-de-semana, em que geralmente se come com menos preocupação.

O Caldo Verde, por exemplo, pode ser feito com apenas alguns vegetais, mas sua base geralmente é algo como uma vichyssoise (clássica sopa francesa, feita com batata, alho-poró, alho e creme de leite).

No Brasil temos uma variedade grande de vegetais básicos e muito bons, como aipim, abóbora, abobrinha, berinjela, vários tipos de pimentas, cenoura, couve, inhame e muitos outros.


Os chefs


As pessoas da comunidade da Moleque têm uma relação forte com a cozinha, e alguns são chefs maravilhosos, como a Arlete e a Antonieta, que trabalham aqui, e o amigo Romulo Braga, chef e artista, sempre muito bem-vindo.


(texto de Michael Collan, tradução de Juliana)