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No tempo dos fluxos, a informação preenche o espaço.

3083 dias atrás por Leila País de Miranda   Comentários (0)

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Eu sou do meu tempo. Do tempo dos eletrônicos. Do tempo do tablet no colo para ver os vídeos que escolho - tempo de televisão desligada, inútil, chata. A TV não sobrevive a maiores graus de liberdade de escolha. Liberdade não é poder escolher entre mil canais. Liberdade é você mesmo fazer o seu canal, se não estiver querendo fazer outra coisa no momento.

 

Sou do tempo em que as linhas de costura se misturam à eletrônica criando coisas que a gente ainda não entende bem, embora seja fácil reconhecer nelas beleza e inovação. A linha deixa passar corrente elétrica. A eletricidade pode mover, acender… A eletrônica permite o estabelecimento de padrões de comunicação. Todo trabalho de costura ganha em linguagem.

 

A possibilidade de representação digital promove isto. Aumento de linguagem. O que é que vamos dizer com isso? Estamos desenvolvendo. E já estamos dizendo. 

 

As crianças que usam símbolos representados digitalmente pensam, vivem e criam um mundo novo para todos nós. Elas precisam usar estas ferramentas em ambientes onde se sintam bem, motivadas e podendo criar elas mesmas o que estão conhecendo e vivendo. E podemos estar juntos, criar juntos. 

 

Nem longe, nem perto: conectados. É tempo de mais linguagem, não menos. E linguagem não é só falar. É pensar. É entender. É manifestar. É comunicar. É deixar a informação fluir para todos os lados. No tempo dos fluxos, a informação preenche o espaço.

 

Conexão comanda modalidades de interação. Conexão demanda contato não mediado. Demanda toda abertura às possibilidades de interação; quanto menos impedimento, melhor. 

 

Interagir demanda confiança. Confiança em si e no outro. A pessoa precisa se conhecer e se respeitar. E precisa respeitar o outro. E precisa confiar. Ao invés de partir para a desconfiança, começar confiando. Confiando no diálogo que aproxima interesses. Confiando na colaboração. 

 

A máxima de que o homem é o lobo do homem só atrapalha. Competir é o oposto de colaborar. E os principais veículos de comunicação na sociedade que estamos vivendo e criando só divulgam "o mundo" da competição e do descaso social. Repetidamente os assassinatos, as maldades, o dinheiro, o sucesso, a indiferença, o perigo. Não é nada bom isso. Não ajuda em nada a criação de um mundo melhor.  

 

Estamos ganhando poder para fazer melhor. E neste espaço-tempo-fluxo em que estamos vivendo, muita coisa já está mudando. O velho "o mundo" hoje são muitos. Podemos e precisamos deixá-los fluir.