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Na moleque de ideias a gente aprende a fazer o que quer fazer.

2162 dias atrás por Leila País de Miranda   Comentários (0)

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Na semana passada uma criança faltou. Eu perguntei para a tia, que trabalha conosco, o porquê. E ela me deu uma resposta que eu já posso considerar clássica: "Porque não fez o dever da escola, ficou zoando o primo que estava fazendo o dele, perturbou. Aí o pai brigou com ele e disse que ele não viria hoje à Moleque, porque ele gosta." Pois bem, todas as vezes em que isto aconteceu na Moleque, eu tentava explicar porque eu achava errado, e dizia que Moleque de ideias não é McDonald's - uma coisa que a pessoa gosta, mas que, no fundo, a gente fica alegre de deixar a criança sem, porque sabe que é inútil e faz mal. Desta vez, alguma coisa mudou e eu disse o seguinte para ela: "Já é sabido que escola faz este papel de treinar a gente para fazer o que não quer fazer. A maior parte das ações da escola, senão todas, são justamente feitas disso. Aqui na Moleque de ideias, as crianças vem para aprender a fazer o que QUEREM fazer." E complementei: "E isto também não é fácil." Aprender a fazer o que a gente quer fazer não é fácil porque, para começar, você tem que descobrir o que te interessa. Como começamos a trabalhar com crianças de 4 anos, esta parte fica um pouco mais fácil, porque criança pequena normalmente sabe o que quer, sabe o que não quer e sai de perto daquilo que não está agradando com muita facilidade, assim como, com muita facilidade também, se aproxima daquilo que a interessa, com interesse explícito e sustentável. Por isto mesmo, procuramos ter aqui uma ampla e variada gama de possibilidades de realização. E todas - TODAS - vão exigir determinação, negociação, planejamento, dedicação, e aprendizagem. TODAS vão propiciar crescimento intelectual, emocional e social. Já as crianças que chegam mais velhas, muitas vezes trazem aquela atitude passiva de quem já está condicionado a cumprir ordens, a fazer aquilo que desejam que você faça. Muitas vezes já se esqueceram até do que gostam, já não se se lembram de quem são de verdade. Mas nada que a oportunidade de ficar um pouco consigo mesmo e de ser valorizado naquilo que demonstra pelas frestas não cure. E rápido. Este é um valor da Moleque de ideias, eu entendi esta semana: aprender a fazer o que a gente gosta também é difícil. Se é dificuldade e superação de dificuldade o que as pessoas valorizam em Educação, no mínimo empatamos. Mas não queremos comparação nem competição. Queremos colaboração. E adoramos fazer o que a gente gosta. Vamos levar os filhos para a Moleque de ideias, porque as crianças gostam. Justamente por isso.