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Tia não. Eu prefiro que me chamem de Leila.

2953 dias atrás por Leila País de Miranda   Comentários (4)

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Estamos com a proposta de fazermos vídeos de 2 minutos sobre assuntos pertinentes à Moleque de ideias. Este foi o primeiro. Ficou com 5 minutos e tal, e pode melhorar muita coisa. Vamos melhorando.

Leila,

Também penso da mesma forma na questão da "Tia", parece que traz uma força inadequada para a relação. Bem, mas temos os lugares que organizam nossa sociedade, por exemplo Pai, Mãe, Filho...Tenho observado que a pessoa "plantada" no lugar, recebe o conhecimento para fazer o que for preciso, no sentido de ter o domínio do situação. E de onde vem este conhecimento? será do líder? neste caso teremos uma liderança circunstancial e ai se estabelece uma hierarquia, pelo conhecimento. Isso tem relação com a escolha do projeto, será que temos o conhecimento para escolhermos o melhor projeto? será que o que eu quero agora é o que eu vou querer quando conhecer todas as possibilidades? Se eu tiver acesso a um líder que já passou por este processo que eu estou passando para me mostrar outras possibilidade que, sujeito, eu não estar vendo no momento, me proporciona uma oportunidade mais justa?

Formanski 2941 dias atrás

Eu acho Tia uma coisa lamentável. Adoro ser tia da Ana Júlia, filha do meu irmão. Assino "Tia Leila" quando escrevo para ela. Mas com as crianças aqui na Moleque de ideias não faz sentido. O sentido a gente obtém exatamente porque as pessoas se chamam pelo nome. E o sentido é o respeito e a consideração mútua, todos se tratando bem e como iguais.

Eu publiquei uma história sobre tia em 2007. Tem uma informação importante lá, sobre a confusão do papel das pessoas no grupo.

O que você coloca sobre liderança cirscunstancial eu concordo. A questão é que as circunstâncias mudam e a hierarquia, pré-estabelecida, não muda com elas. Muitas vezes as crianças dão soluções e encaminhamentos muito bons para as mais variadas situações, mas o constante exercício de submissão acaba por torná-las irresponsáveis e desligadas do todo. Um exemplo clássico é quando as crianças se desentendem; ao invés de exercitar o conflito e sua solução auxiliados por uma terceira pessoa (por exemplo), elas se voltam para a Tia e reclamam. E não se forma um triângulo, onde todos dialogam com todos, o que acontece é que uma pessoa se interpõe no caminho das outras duas - sempre. Há necessidade desta ser a principal maneira, senão a única, de aprender a resolver conflitos? Eu acho que não. Principalmente porque a pessoa aprende nada. Temos vivido de outra forma há 15 anos. E, volto a dizer, as pessoas aqui crescem, emocional, intelectual e socialmente. Senão não dava certo. :)

Com relação à parte seguinte do seu comentário, vou responder 1 pergunta de cada vez:

"Isso tem relação com a escolha do projeto, será que temos o conhecimento para escolhermos o melhor projeto? 

Eu acho que aqui o conceito de melhor só cabe aqui se for o melhor para a pessoa. E o melhor para a pessoa é ela fazer aquilo que a interessa verdadeiramente, fluindo, e não "agora é isso, depois aquilo, antes isso, agora não". O que colocamos aqui na Moleque é um ambiente onde as coisas estão acontecendo mesmo, as pessoas estão realizando coisas para si e para os outros (atravessando os muros) e, neste fazer junto, a gente aprende muita coisa útil e promove desenvolvimento sustentável. E todos estamos aprendendo, não há aquele que saberá mais em todas as situações, o que deve haver é cada vez mais a interação entre muitos e não entre todos com um, um com todos, e o um planejando, tomando conta, regulando todo mundo. O conhecimento verdadeiro e significativo se realiza na interação verdadeira, emocional. No fazer real, que produz riqueza. O resto a gente esquece. 

"Será que o que eu quero agora é o que eu vou querer quando conhecer todas as possibilidades?"

Provavelmente não, mas pode ser que sim. Isto não é absolutamente necessário. O que é necessário é a pessoa estar inteira em cada momento da sua existência, principalmente se o que nos importa são os fenômenos da aprendizagem e do desenvolvimento. 

"Se eu tiver acesso a um líder que já passou por este processo que eu estou passando para me mostrar outras possibilidade que, sujeito, eu não estou vendo no momento, me proporciona uma oportunidade mais justa?"

Eu não chamaria o outro de líder, chamaria de experiente. Com a experiência dele, diga-se de passagem. Mas o outro é sempre importante, é a única possibilidade de se estabelecer uma interação verdadeira. Nós ajudamos muito as crianças, elas nos ajudam também. Um outro que tenha experiência naquilo que você quer viver pode ser de grande ajuda. Não sei se proporcionaria uma oportunidade mais justa, mas sempre que uma interação adianta o lado de alguém, eu acho que o resultado foi bom. 

Que beleza de conversa, estou gostando muito!

Leila País de Miranda 2940 dias atrás

Leila,

Destaquei algumas frases suas que me chamam a atenção:

"confusão do papel das pessoas no grupo", então posso entender que as pessoas nos grupos tem papéis? me clareie isto com alguns exemplos....Será que teremos, de forma mutante, sempre um mestre e um discípulo (hierarquia pelo conhecimento)?

"as circunstâncias mudam e a hierarquia, pré-estabelecida, não muda com elas", ok, a dificuldade está na hierarquia ou na hierarquia fixa?

"o constante exercício de submissão acaba por torná-las irresponsáveis e desligadas do todo" Esta frase merece o prêmio nobel de pedagogia.....A responsabilidade tem relação com escolhas próprias, se outros escolheres por min, não sou responsável...interessante, percebo isso na sociedade.

"elas se voltam para a Tia e reclamam" Aqui aparece o lugar de vítima, penso que é o único lugar onde não existe aprendizagem, a pessoa não é responsável pela ação, ou por outra, é submissa, a culpa é do outro.

"fazer aquilo que a interessa verdadeiramente, fluindo" pela teoria do Mihaly, o Flow é o estado emocional de maior produtividade, é onde a pessoa está inteira na ação.

"é necessário é a pessoa estar inteira em cada momento da sua existência" pelo Mihaly e Eu, isso é Felicidade.

"o outro é sempre importante, é a única possibilidade de se estabelecer uma interação verdadeira" Porque será que o outro é tão importante assim? tenho a impressão de que o outro serve de degrau para a evolução, será por causar dificuldade, nos questionar? ou por causar facilidade, nos auxiliar?

Formanski 2940 dias atrás

Bom, vou comentar em separado:

"Destaquei algumas frases suas que me chamam a atenção:

"confusão do papel das pessoas no grupo", então posso entender que as pessoas nos grupos tem papéis? me clareie isto com alguns exemplos....Será que teremos, de forma mutante, sempre um mestre e um discípulo (hierarquia pelo conhecimento)?"

Eu me referi a um artigo que eu havia publicado. Este artigo citava a "Tia" como algo entre "Mãe" e "Professora". Foi a esta confusão de papéis que me referi. 
Com relação a se entendo se pessoas nos grupos tem papéis... penso que sim, que podemos dizer que vivemos o drama da existência, onde exercemos determinados papéis... Mas de forma fluida. Talvez os papéis estejam por aí e às vezes é necessário que alguém assuma aquela posição. E já houve bastante discussão sobre isto, sobre o "louco da cidade" ou o "filho violento", como entidades que acabam fazendo no grupo o que há em todos e ninguém assume.  O assunto é vasto, mas esta metáfora de teatro já está vencida, eu penso. Acho melhor pensar em estarmos em rede, em algo maior do que nós, feito de nós e de nossas interações.

"as circunstâncias mudam e a hierarquia, pré-estabelecida, não muda com elas", ok, a dificuldade está na hierarquia ou na hierarquia fixa?"

Neste caso, eu novamente estava comentando um caso de organização hierárquica.
Bom, eu penso que a dificuldade a que você se refere é provocada pela hierarquia como representação da vida. Se a vida é em rede, se as paredes são permeáveis, se é assim que a vida funciona, não há porque implementarmos hierarquias. Aqui procuramos permitir as interações em rede da forma mais distribuída. 

"o constante exercício de submissão acaba por torná-las irresponsáveis e desligadas do todo" Esta frase merece o prêmio nobel de pedagogia.....A responsabilidade tem relação com escolhas próprias, se outros escolheres por mim, não sou responsável...interessante, percebo isso na sociedade."

Obrigada! Que bom que fez sentido para você. Eu reafirmo que quanto mais legítima a escolha, maior é o comprometimento.

"elas se voltam para a Tia e reclamam" Aqui aparece o lugar de vítima, penso que é o único lugar onde não existe aprendizagem, a pessoa não é responsável pela ação, ou por outra, é submissa, a culpa é do outro.""

É isso. Mas existe aprendizagem aí também, esse é o perigo. A pessoa sair do lugar de vítima/algoz é difícil, mas às vezes parece ser o trabalho a ser feito.

"fazer aquilo que a interessa verdadeiramente, fluindo" pela teoria do Mihaly, o Flow é o estado emocional de maior produtividade, é onde a pessoa está inteira na ação.

Não conheço as ideias de Mihaly, vou ler. Você já leu o FLUZZ, do Augusto? Não é centrado nas pessoas, é sobre redes de pessoas. Ele tem publicado os capítulos no http://twitter.com/#!/augustodefranco É uma leitura muito importante.

"necessário é a pessoa estar inteira em cada momento da sua existência" pelo Mihaly e Eu, isso é Felicidade."

:)

""o outro é sempre importante, é a única possibilidade de se estabelecer uma interação verdadeira" Porque será que o outro é tão importante assim? tenho a impressão de que o outro serve de degrau para a evolução, será por causar dificuldade, nos questionar? ou por causar facilidade, nos auxiliar?"

Eu acho que o outro é o necessário para fazer a rede. Nós somos os outros dos outros. Vamos interagindo. :)

Leila País de Miranda 2939 dias atrás